Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Os piores Haicais da última quinta feira

Indicadores

Salienta no dedo
a redonda verruga;
aponto 2 direções.

Geniozinho

Decepcionou-se o menino:
Dostoievsky chegou
muito antes que o brinquedo.

Temporal de Verão

Fugida do pé
flutuava veloz
a havaiana na rua.

Cálculo do Gato

Pardal magrinho,
Quantas precisariam
Pra me satisfazer dessas coxinhas?

Cores Vivas

Pela manhã, aquela tia
Com o olho verde da cortina
E um macio decote laranja.


O Último dia da Bisa

Quase que sobrou tempo
Para o remédio embaixo da língua
E o pedido de perdão.

Intimidade

Ela me fez rir
Os farelos da bolacha
Mergulhados no refri.

Domingo, Agosto 06, 2006

Sou o vizinho novo e estranho que bate em minha porta; mas não peço a mim mesmo açúcar ou um pouco de azeite: quero tudo que a insegurança guarda no cofre.
Há um bilhete tímido no bolso de cada fracasso
Mas vez em quando eu me dou bem,
É, eu me dou bem
É nessas horas que eu vou te procurar
no teu edifício com nome de mulher antiga.
Hoje ouvi no rádio “Rain drops keep falling’ on my head” e “nova terapia revoluciona tratamento de artrite”.
Ah, como eu gosto de catar alegrias
no lixo revirado da minha vida.

Sábado, Agosto 05, 2006

Bah, eu ouço vozes...e não passa.

Quinta-feira, Maio 11, 2006

Que c'est triste

Que c'est triste Venise Au temps des amours mortes Que c'est triste Venise Quand on ne s'aime plus On cherche encore des mots Mais l'ennui les emporte On voudrait bien pleurer Mais on ne le peut plus Que c'est triste Venise Lorsque les barcaroles Ne viennent souligner que les silencescreux Et que le coeur se serre En voyant les gondolles Abriter le bonheur des couples amoureux Que c'est triste Venise Au temps des amours mortes Que c'est triste Venise Quand on ne s'aime plus Les musées, les églises Ouvrent enfin leurs portes Inutile beauté Davant nos yeux déçus Que c'est triste Venise Le soir sur la lagune Quand on cherche une main Que l'on ne vous tend pas Et que l'on ironise Devant le clair de lune Pour tenter d'oublier Ce que l'on ne se dit pas Adieu tous les pigeons Qui nous ont fait escorte Adieu Pont des Soupirs Adieu rêves perdus C'est trop triste Venise Au temps des amours mortes C'est trop triste Venise Quand on ne s'aime plus

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Tosquice Romântica

A primeira vez que percebi que enxergava menos do que precisava não fora na escola, como acontecia com a maioria das crianças da minha idade (para ser sincero, pouco me importava com as coisas escritas no quadro negro). Verdade é que poderia ter sido naquela noite em que meu pai me levou a um jogo do Internacional e que não conseguia distinguir quase nada do que se passava no gramado. O que sei é que, ironicamente ou não, foi ouvindo que comecei a me dar conta de que pouco via.
Comentei com Clarissa que gostava quando ouvia a música que a Elis chamava o céu de “mata borrão”. Clarissa, o céu de noite é mesmo um borrão. Tiago, o céu estrelado é tão maravilhoso que às vezes, quando estou sozinha olhando para a noite, até choro. Imagina! Um borrão. Somente um borrão. Tiago, definitivamente você precisa de óculos. E com onze anos eu precisei de um par de óculos.
Ônibus com nomes, letreiros distantes, equações escolares e, claro, onze jogadores em cada time: numa tarde de junho começou minha vida através das lentes. O céu estrelado deixei para ver ao lado de Clarisse, ela sabia tudo sobre estrelas, apesar de ser apenas oito meses mais velha que eu – grandeza, brilho, idade, constelações, estrela cadente e distâncias da Terra - quase tudo o que eu sei sobre o assunto, aprendi primeiro com Clarisse.
Na tarde daquele dia, Clarisse guardou meus óculos em seu bolso e disse que só me devolveria quando anoitecesse, para que eu tivesse o “impacto da surpresa das estrelas”, como dizia ela.
Em frente ao muro que separava nossas casas, esperamos a descida gradual e suave do anoitecer da estréia dos meus óculos. Agora Tiago, coloca essas lentes e você vai sentir o tempo que perdeu olhando para os seus “borrões”. Se as maravilhas das estrelas se confirmaram, se no lugar de borrões estavam pontos de uma definição exata, branca e singela, se a partir de então eu poderia ver e imaginar ursos e centauros nos desenhos que formavam as constelações, se então eu poderia ver as cores que explodiam com os fogos daquela noite junina, tudo isso me fora secundário naquele momento. O que ficou para mim, no instante em que coloquei a armação dos óculos sobre o nariz, foi a riqueza de um outro brilho. Talvez tenha sido os filmes que assistia em demasia na época, mas o castanho de Clarisse, mais os olhos do que os cabelos, me machucaram quando eu esperava ser surpreendido apenas pelos astros que minha amiga me prometera.
Nunca tive o mérito de dizer à minha vizinha o que se passou comigo naquela noite e nos dias seguintes. Tampouco encontrei algum arroubo de coragem no dia em que sua família se mudou da cidade. Quando nos despedimos, estava sem os óculos mas, ainda assim, procurei enxergar, pela última vez, a imagem que me causou um dano doce como a primeira paixão da infância. Sem saber que tal imagem já se fixara em definitivo na minha memória e impressões sentimentais. Clarissa é agora tal qual uma das lições que me ensinou antes daquele junho: o brilho que surge para meus olhos, em cada noite estrelada, provém de algo que já se extinguiu num tempo remoto, como uma lembrança que persiste da infância e que se repete cada vez que as nuvens se dissipam.
Ainda hoje tiro os óculos em noites de São João. Nessas datas, engano os pensamentos por alguns segundos, quando a miopia confunde balões juninos com estrelas cadentes, fazendo com que eu sempre faça o mesmo pedido.

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Essa aqui e a pagina de livro que eu mais gosto de ler

Estou so, em meio a essas vozes alegres e sensatas. Todos esses sujeitos passam seu tempo se explicando, reconhecendo com satisfacao que tem as mesmas opnioes. Deus meu, que importancia dao a pensar todos juntos as mesmas coisas. Basta ver a cara que fazem quando passa por eles um desses homens com olhos de peixe que parecem olhar para dentro e com os quais nao e possivel , de forma nenhuma, se conciliar.
Quando tinha oito anos e brincava no Luxembourg, havia um desses que vinha sentar numa guarita junto a grade que ladeia a rua Auguste-Comte. Nao falava, mas de quando em quando estendia a pernae olhava para seu pe com ar apavorado. Nesse pe usava uma botina e no outro pe um chinelo. O guarda disse a meu tio que se tratava de um ex inspetor de colegio. Fora aposentado porque comparecerea as salas de aula, para ler as notas trimestrais, usando traje academico. Tinhamos um medo horrivel dele, porque sentiamos que era um homem sozinho. Um dia sorriu para Robert, estendendo-lhe os braços de longe - Robert quase desmaiou. Nao era o aspecto miseravel do sujeito que nos assustava, nem o tumor que tinha no pescoço e que roçava a beira de seu colarinho, mas sentiamos que ele formava pensamentos de caranguejo ou de lagosta. E o fato de que alguem pudesse formar pensamentos de lagosta a respeito da guarita, de nossos arcos, das moitas de arbustos, nos aterrorizava.
E isso entao o que me espera! Pela primeira vez me incomoda estar só.Gostaria de falar com alguem sobre o que me esta acontecendo, antes que eu comece a assustar garotinhos. Gostaria que Anny estivesse aqui.

A Nausea.
Jean P Sartre

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

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